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segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Boechat

Em outras ocasiões, já falei que acho política partidária um engodo, um circo - um fake, pra usar a expressão do momento. Porque a palavra "política" vem do grego e significa "em prol da cidade". O que a gente vê é que a política partidária tem esse discurso, mas sua ação tem estado muito mais no lado oposto. Não me refiro a 2019, mas a sempre.
Então, eu não sou "coxinha" nem "petralha". Em se tratando de partidarismo político, eu não sou porra nenhuma, como diria Madre Teresa de Calcutá. Quero o bem da comunidade, seja lá quem venha a fazê-lo.
Vi Ricardo Boechat ser muitas vezes chamado de "coxinha" por quem de diz "de esquerda" e de "comunista" por quem se diz "de direita" (são muitas aspas, mas é de propósito). O que me leva a crer que ele devia ser neutro, ao menos no papel de comentarista à frente de um microfone ou câmera - ser porra nenhuma, como eu. Assim, era a única figura do meio jornalístico para quem eu dava alguma atenção sobre o dia a dia desse assunto - por meio de sua página no Facebook, visto que não assisto TV faz muitos anos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Calor

O calor não é tão ruim. A gente pode colocar ao sol as roupas pra secar e os sapatos pra perder o chulé.
No mais, desce uma Cloud gelada aí, garçom Pedro!

(das "Reflexões de um Quase Cinquentão")

sábado, 19 de setembro de 2015

Matemática anti-homofóbica

(para o provável livro "Reflexões de um quase cinquentão")

Embora eu tenha me formado e trabalho toda a vida na área de Humanas, a Matemática me atrai. Ela pode ser, em muitas situações, o melhor modo de demonstrar minha maneira de pensar. Este é um caso.

Situação 1

Imaginemos que a humanidade mande para o planeta A, desabitado, dois casais: A1 e A2. Ambos heterossexuais. São casais geneticamente preparados para gerar quatro filhos cada um (dois homens e duas mulheres) que vão se cruzar futuramente com os filhos do outro casal e, da mesma forma, gerar dois homens e duas mulheres, sempre. E assim sucessivamente, o que fará que cada nova geração tenha o dobro de pessoas da anterior. Pergunta 1: considerando que ninguém morra neste planeta, quantas gerações serão necessárias até que se chegue a aproximadamente 7 bilhões de habitantes, atual população da Terra?
Não precisa pensar, já dou a resposta: 32 gerações, pois trata-se de uma progressão geométrica, a população vai sempre dobrando.

Situação 2

Imaginemos que, no mesmo dia, sejam enviados para o planeta B, desabitado, dois casais: B1 e B2. Ambos geneticamente preparados para gerar quatro filhos cada um, como no planeta A (dois homens e duas mulheres) MAS sendo que um homem e uma mulher serão homossexuais, ou seja, nâo irão reproduzir. Neste caso, o que acontece é que a uma geração nunca vai ter o dobro de pessoas da anterior como no planeta A, mas o MESMO número de pessoas: 4. Pergunta 2, igual à pergunta 1: considerando que ninguém morra neste planeta, quantas gerações serão necessárias até que se chegue a aproximadamente 7 bilhões de habitantes, atual população da Terra?
Resposta 2: 1,75 bilhões de gerações, pois trata-se de uma progressão aritmética, 4 + 4 + 4 + 4...

Pergunta 3: Em 1,75 bilhões de gerações (resposta da pergunta 2), quantos habitantes terá o planeta A?
Resposta: 2 elevado a 1,75 bilhões, o que dá um número de 21 algarismos: 872.000.000.000.000.000.000. Por extenso? oitocentos e setenta quintilhões.

E o que significa esse número monstruoso? Quero dizer que, hipoteticamente, se não houvessem homossexuais no mundo, seria talvez dessa grandeza a população atual da Terra.
Então, além de acreditar que o respeito dado a um ser humano não deve ser medido por sua escolha sexual, penso que a Natureza não faz nada por acaso.

PS: se eu estiver errado nos cálculos, minha amiga Fernanda Bastos irá me corrigir.

sábado, 15 de agosto de 2015

Establishment

Aos puristas, peço desculpas pelo título em inglês, mas não encontrei expressão em nossa língua que substitua a palavra neste contexto. Tampouco algum texto na internet que fale do “estabelecimento”, a não ser que se refira a alguma loja...
Instituições como a política e a religião foram "inventadas" em algum momento da história e, desde então, expressas em diversas formas e cores e tamanhos. Discutidas, debatidas, estruturadas e desfeitas, guerreadas. Mas um fato chama a minha atenção: o tamanho de seu poder, pois tão entranhadas estão na cultura da humanidade que ninguém questiona a validade de sua pura e simples existência. Será que precisamos mesmo delas?
Embora tenham por princípio semear palavras como tranquilidade, honestidade, igualdade, solidariedade, fraternidade e outras “dades”, historicamente são as maiores causadoras de fundamentalismo, sectarismo, belicismo e outros “ismos”. 
Jamais se chegou a um consenso sobre o modelo político ideal ou a crença “verdadeira”. Ninguém questiona a existência do sol, mas estamos cercados por inúmeros possíveis deuses e discursos com modelos mágicos de crescimento econômico. E no fim das contas, sempre vejo beneficiada uma meia dúzia de pessoas por cujo caráter não ponho a mão no fogo.
Os outros seres vivos, “irracionais”(!), vivem mais bem organizados e em harmonia do que nós. E sem política ou religião... Ou alguém aí sabe de um formigueiro com câmara dos deputados e templo de oração?

PS: Opa! Agora já são dois textos para o livro “Reflexões de um quase cinquentão”.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Reclame na sala ao lado

Você se lembra do reclame da Frigidaire? Pois é... Umas décadas atrás, reclame era o mesmo que anúncio publicitário. Muitos profissionais da minha geração costumam associar, pejorativamente, essa expressão a trabalho ultrapassado ou mal-feito: "Essa ideia é do tempo dos reclames" ou "Isso tá mais pra reclame que pra anúncio."
Sou também dos que adotam a palavra com sentido negativo; porém, a razão é outra. Reclame é subjuntivo do verbo reclamar, basicamente usado como sinônimo de exigir (reclamar seus direitos) ou de protestar (contra o governo, por exemplo).
Há os que reclamam, com razão, contra o salário atrasado, contra o mau uso do dinheiro público, contra a eventual (mas nem tanto) falta de qualidade da Educação, contra o barulho na casa do vizinho em horário de silêncio. Mas existem os que reclamam contra o frio, quando está frio; e se está calor, esses mesmos reclamam do calor. Reclamam do trânsito, mas são incapazes de andar a pé os dois quarteirões até a padaria. Reclamam que estão velhos demais para isso ou aquilo, quando muita gente de sua idade está fazendo exatamente aquilo ou isso. Reclamam que estão gordos — de preferência depois de comer um hambúrguer, e nunca no caminho pra academia, porque não a frequentam. Reclamam que lhes falta dinheiro pra viajar, de dentro daquele carro cujo IPVA custa o mesmo que uma viagem.
Hoje, reclamar tornou-se um hábito ainda mais poderoso. Celulares e redes sociais deram o poder da comunicação a quase todo ser humano que viva em perímetro urbano. Ficou fácil falar do que se bem entender e, mais do que isso, é seguro. Você pode dizer "o bicho" sobre a opinião de um sujeito que está a mil quilômetros de distância — o que ele provavelmente poderá fazer?
Nos últimos tempos, entendi a preciosidade do tempo. Se eu estou fazendo uma coisa, não terei esses mesmos minutos para fazer outra. Às pessoas que reclamam demais contra o inevitável (o frio, o calor, a morte) ou contra o evitável (sedentarismo, gula, consumismo e afins), parece que lhes faltam propósitos, objetivos, realizações, com os quais ocupariam melhor o tempo. Então, entre outras práticas inerentes, tenho me esforçado para não fazer uso do "reclame"; vamos às coisas boas e funcionais. Quando me pego pensando em resmungar sobre algo, imagino uma placa "Reclame na sala ao lado", porque a sala ao lado nunca pode, da minha ótica, ser aquela em que estou.

* Por Zé Elias. Primeiro (e por enquanto único) texto do improvável livro "Reflexões de um quase cinquentão".

terça-feira, 13 de março de 2012

Hã? Fala de novo, Zé, que não ouvi...

Chega de ficar calado diante desse assunto... gritante AHAHAHAHAHAHAAHAHAH

1) Se você coloca caixas de som na calçada, na frente da sua loja, pra atrair clientes, ou faz propaganda em carro de som, saiba que eu sou um dos que vão comprar na concorrência silenciosa.

2) Se você é daqueles que nos permite ouvir a 200 metros de distância até a vibração causada pelo som alto do seu carro, meus pêsames... Em breve, todas as juntas do veículo estarão soltas e você estará surdo, além de conquistar um monte de inimigos.

3) Baseado em meu gosto pessoal, as estatísticas mostram que, quanto mais alto o volume do som do carro do sujeito, tanto pior é a música.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Dinossauros ainda existem

Esta semana, saiu a seguinte notícia: http://www.lavras24horas.com.br/portal/pocos-de-caldas-fica-fora-da-lista-de-cidades-com-potencial-turistico/

Sinto por aqueles que vivem defendendo a cidade com unhas e dentes, mas é exatamente isso que tem deixado Poços nos tempos das charretinhas. Políticos esnobes e empresários acomodados, todos eles dinossauros míopes, que ficam batendo no peito, levantando a voz contra críticas feitas à cidade e dizendo que "aqui é Primeiro Mundo".

Concordo que, em vários pontos, Poços supera a vizinhança e que, se o critério for escolher as menos ruins, deveria estar na tal lista. Mas tenhamos humildade. É fazer o esforço de tentar ver além da serra do Cristo, visitar lugares em que as coisas estão anos-luz à frente daqui no quesito Turismo, trazer ideias, planejar e investir. Vou me ater a apenas uma frase da reportagem que apontei: "Além do segmento sol e praia, a lista engloba ecoturismo, aventura, esporte, cultura, negócios, eventos e gastronomia." Pergunta: praia, não tem mesmo jeito... Mas em qual dos outros segmentos temos estrutura profissional de Turismo? A resposta é zero, nenhum. Quem elogia Poços (e favorece o discurso reacionário) é o turista de classe média baixa, que vem em ônibus de excursão. Nada contra eles, mas são apenas um dos vários perfis de turista que se pode ter.

Mas como disse uma grande amiga (cujo nome não quero mencionar): "mudar dá trabalho".

domingo, 4 de dezembro de 2011

Política e religião não se discutem...

Faz tempo que me afastei das duas instituições. Tem nada a ver com desinteresse pelos assuntos; só acredito que ambas, de modo geral, cumprem papéis avessos àqueles para os quais foram criadas. Não trabalham para a comunidade, são parasitas desta.

Curiosamente, ambas resolveram mexer comigo, usando a mesma arma, e não estão nem sabendo. Então, resolvi avisar.

Ao lado da minha casa, há outra que alguns meses está à venda. Eis que, um dia, aparece um monte de senhores e rapazes (pelo menos uns 20, devem ser) com uma parafernália de fios, luzinhas, enfeites... E barulho de madrugada, quando estão chegando da rua ou com tempo livre. Tá. Fui saber: contratados da prefeitura para instalar os enfeites de Natal na cidade. Vieram de longe!
Duas perguntinhas: 1) Será que não existe gente local capaz de fazer o mesmo? 2) Será que a prefeitura está financiando também as mocinhas servis que estão se amassando com esse pessoal nas madrugadas aqui na calçada?

O fundo do prédio onde trabalho fica voltado para a lateral de uma igreja. Não sei qual das 6.829 fundadas nos últimos anos. Estão fazendo uma reforma. O pedreiro que lá está ouve, todo dia, uma rádio evangélica (faz sentido) num volume que parece que o aparelho está dentro da minha sala.
Duas perguntinhas: 1) Por que ele continua fazendo isso, mesmo depois de algumas pessoas do prédio tendo pedido pra abaixar o volume? 2) Pra que raio serve esta igreja, que não é capaz de educá-lo?

Política e religião não se discutem. Tô vendo que isso é mesmo verdade porque o jeito seria sair no braço, mas falta de educação é só pra quem pode. Valeu, prefeito Paulo César! Valeu, igrejinha da Barros Cobra em frente à Praça dos Macacos!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dom e oportunidade

Por que algumas pessoas são mais bem-sucedidas em determinadas atividades? Por que alguns se tornam goleiros, outros defensores e outros goleadores, se a escolinha de futebol é igual pra todas as crianças?
Sempre entendi que todo ser humano tem um dom. Ou ainda, uma chama de genialidade numa área qualquer. Tem o feeling, o timing, a percepção, o reflexo, mais privilegiados pra essa área desde o encontro do óvulo com o espermatozoide. Por isso um Ronaldinho Gaúcho, mesmo sabendo tudo o que um goleiro precisa fazer, não consegue o mesmo desempenho de um Marcos, e vice-versa. Por isso, Gisele Bündchen é mais que uma modelo, é uma empreendedora do "negócio" Gisele Bündchen, ainda que trocentas outras modelos tenham frequentado rigorosamente o mesmo caminho de preparação. Creio que essas outras sejam modelos competentes, mas "comuns", porque o seu dom genial talvez não seja para a carreira de modelo.
A outra metade que completa o par perfeito do sucesso não acontece à grande maioria das pessoas: a oportunidade precisa para que o dom se manifeste. Muitas delas passam a vida inteira no lugar "errado", na profissão "errada", fazendo a coisa "errada", e se acomodam, se conformam com o destino.
Se você acha que é uma pessoa "comum", comece a observar as coisas que faz muito bem e com as quais se identifica. Na minha opinião, é o primeiro passo para achar a oportunidade em que sua genialidade vai se manifestar.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Política, religião e futebol

Aquela máxima diz que esses três assuntos não devemos discutir, pois isso não leva a lugar nenhum. Cheguei à conclusão de que isso procede, porque eles realmente estão lá no lugar nenhum, e não aqui.
Explico: tornaram-se instituições que saíram de seus propósitos conosco, simples mortais. Há muito tempo que só olham para o próprio umbigo.
Abaixo os partidos políticos, a fé dividida em facções e o futebol "de resultados"!

sábado, 24 de julho de 2010

Auto-estima e amor-próprio

Você sabe claramente a diferença entre os dois? Ou vive se confundindo?
Eu creio que entendi, então repasso a você minha conclusão.
Resolvi falar a respeito porque há uns dias a dúvida me veio de novo à cabeça. Pesquisei na internet, achei algumas definições, mas o que parece ter mesmo fechado a questão pra mim foi uma notícia que li esta semana. Instintivamente, peguei o resultado da minha pesquisa, apliquei na notícia e... "Tlin-tlin!" - a ficha caiu.

Silvester Stallone veio filmar cenas de filme aqui no Brasil. Na volta, criticou algumas coisas que viu. (clique aqui pra ler)
Surgiram comentários entre mim e amigos a respeito. Sobre a grosseria dele, sobre o Brasil dar oportunidade a que falem assim. Grosseiro ou não, Stallone não mentiu. Falou apenas o que viu, e a gente sabe que acontece mesmo.

Mas vou me ater ao seguinte ponto: nós efetivamente damos chance a esse tipo de comentário, e ficamos "uma pistola" quando vem alguém de fora e critica...
Nós, brasileiros, nos sentimos capazes de tudo, temos uma AUTO-ESTIMA alta. E efetivamente o somos, como qualquer povo! Mas infelizmente, temos nos achado capazes até de coisas como burlar leis, desrespeitar o próximo, ser corrompidos, poluir. E aí, mostramos o quanto não temos AMOR-PRÓPRIO, pois o nosso maior jardim, a nossa pátria, está mal-cuidada e violenta.
Deu "tlin-tlin" aí em você, agora? Espero que tenha ajudado.
Fui.